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As mulheres de minha família sofrem de depressão e eu também.

Muitas pessoas tem horror ao diagnóstico de depressão, por não se verem como “pessoas depressivas”. Na realidade, parte desse medo está envolvido em não querermos nos identificar com aqueles que acreditamos precisar de um psiquiatra.

E quando esses exemplos de pacientes pertencem a nossa família, o caldo engrossa. Pois como pessoas tão diferentes, apenas com laços familiares, podem sofrer da mesma condição psiquiátrica? Será que somos mais parecidos do que imaginamos?

Por mais difícil que seja de acreditar, a depressão tem sim um forte componente genético. O que significa que se alguém de nossa família já adoeceu, nossa chance de adoecer também é maior do que o resto da população. Principalmente quando são pais, irmãos ou avós.

A cada ano, mais e mais pessoas em todo o mundo passa a sofrer de depressão. Só que, por algum motivo, esse número é particularmente maior entre as mulheres. Por que será?

Obviamente que não existe uma razão única para isso. Inclusive, diversos especialistas questionam a validade desses números, uma vez que homens em geral, procuram menos ajuda em saúde (mental ou física) do que mulheres. Além disso, casos de depressão graves, em que praticamente não é possível esconder os sintomas, o número de homens e mulheres passa a se igualar, o que talvez indique que homens não necessariamente adoecem menos, mas apenas procuram menos.

Contudo, é um fato que as mulheres não estão expostas aos mesmos fatores de risco que os homens. Estão a muito mais. Pesquisas apontam que a maior taxa de depressão no sexo feminino ocorre entre a primeira menstruação e a menopausa. O que indica que as oscilações hormonais possivelmente estão envolvidas no processo depressivo.

Além disso, as pressões sociais são inúmeras e esmagadoramente maiores que as dos homens. Ok, hoje em dia, vemos mulheres trabalhando em altos cargos, o que indica que conseguiram conquistar o mercado de trabalho, certo? Mais ou menos.

Quando comparamos com 50 anos atrás, de fato, as mulheres tem muito mais liberdade profissional e pessoal. Mas comparando com seus pares do sexo masculino nos dias de hoje, ainda podemos observar menores salários, menos oportunidades, maior índice de assédio moral, maior violência doméstica e maior jornada de trabalho.

Isso porque, embora tenham a liberdade para (tentar) construir a carreira que desejem, nossa sociedade ainda não libertou inteiramente a figura feminina das responsabilidades domésticas. O que pressiona com força cada uma delas.

Para quem não conhece, a depressão é uma condição que nos isola do mundo. Há um sentimento constante de afastamento, alienação, culpa e vergonha. Ao deprimirmos, nossa mente parece perder a fluidez, os pensamentos acabam sempre voltando para as mesmas temáticas. O tempo parece passar com mais lentidão e a simples idéia de que as coisas podem melhorar parece uma completa impossibilidade.

O segredo para viver melhor: Não cair em tudo o que a sua mente te conta. Aliais, aproveite para questionar também o que diz a sociedade. Mulheres não são mais frágeis que homens, jamais foram e jamais serão. Pelo contrário, elas vivem sob condições sociais mais hostis e em um corpo com uma complexidade muito superior.

Ter familiares que já deprimiram não condena ninguém a seguir necessariamente o mesmo destino, especialmente quando pensamos de forma tão diferente deles. O que acontece é um aumento do risco, por compartilharmos genes em comum. E que podem passar a se manifestar ao nos submetermos à pressões relativamente parecidas, fato que acontece com quase toda mulher.

Talvez jamais possamos modificar nossa própria genética, mas podemos modificar nossa forma de pensar e principalmente a forma como a sociedade se impõe sobre nós. As mulheres estão protagonizando incontáveis mudanças pelo mundo. E não há MELHOR notícia do que essa! As repercussões de suas lutas superam a liberdade política e social, abrindo margem para uma saúde física e mental de muito mais qualidade.

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5 thoughts on “As mulheres de minha família sofrem de depressão e eu também.

  1. Vanuza says:

    Sofro com essa doença há muito tempo. Já fiz um tratamento que durou cinco anos e agora com a minha separação ela voltou a atacar. Mas dessa vez não entendi a causa, estou separada, foi difícil mas em relação a isso estou bem. Comecei ter dificuldades prá dormir e quando dormia era como se não tivesse dormido, acordava exausta, ficava sonolenta o dia todo mas não relaxava prá dormir um pouco durante o dia, prá sair de casa, foi me paralisando. Voltei ao tratamento e estou tomando antidepressivo.

    • Dr. David Sender says:

      Olá Vanuza, obrigado pelo comentário. A depressão é uma condição extremamente dolorosa, e silenciosa… vai aumentando progressivamente. E é exatamente como voce descreveu, as forças vão sumindo bem debaixo do nosso nariz. Mas fico feliz que esteja em tratamento. Vencer essa condição não necessita apenas de força de vontade, necessita de apoio!

    • Dr. David Sender says:

      Olá, obrigado por dividir isso. É interessante, mas as vezes o próprio MEDO é sinal de que algo está errado. Claro, é normal sentirmos medo. Mas pode acontecer desse sentimento gerar, sozinho, um prejuízo enorme! E nesses casos, o tratamento em saúde mental é fundamental, porque trabalha-se para darmos a liberdade da prisão que nosso próprio medo nos gera.

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