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Desestigmatizando a Psiquiatria

Quando se pensa em PSIQUIATRIA, as primeiras imagens que a maioria das pessoas têm são:

•Internação em HOSPÍCIO;
•REMÉDIOS que viciam e fazem babar;
•Pessoas SOFRIDAS e SEM AUTONOMIA ou PERIGOSAS e IMPREVISÍVEIS.

Com esse cenário, é difícil não sentir aversão.

A psiquiatria passou por capítulos tenebrosos ao longo de sua história e ainda hoje rendem centenas de filmes hollywoodianos capazes de tirar o sono de muita gente.

Mas há um grave problema aí: a medicina mudou e a psiquiatria evoluiu como um foguete nos últimos 30 anos. Então, será que a imagem eternizada de uma psiquiatria antiquada, que pune e exclui pessoas, não pode estar nos prejudicando nos dias de HOJE?

A resposta: Com toda certeza, SIM.

Costumamos escolher as formas como vamos nos cuidar baseados não apenas no que entendemos da ciência, mas também na idéia que temos sobre NÓS mesmos.

Se acreditamos, por exemplo, que quem lê sobre autoajuda deve estar infeliz, é provável que nos acostumemos a pular essa estante quando vamos à uma livraria, por mais que o livro que estejamos procurando possa estar por ali.

Curiosamente, algo muito semelhante acontece com a Psiquiatria. De fato, o conceito de “ter que tomar um comprimido para se sentir melhor” (o que também é um mito) já afasta muita gente. Mais do que isso, para a maioria, o pavor maior é ter que se comparar com AQUELES que IMAGINAMOS que precisem de um psiquiatra.

Afinal, quantas vezes, em um momento de estresse, você já não ouviu, se não falou: “Você precisa se tratar! Vá procurar um psiquiatra!”, ou refletiu: “Nunca imaginei que uma pessoa como ela poderia ter depressão…”

É surpreendente como, por mais instruído que sejamos, muitos de nós, sem perceber, imaginam que existe um PERFIL de pessoa que procura o psiquiatra. Seja pelo que já vimos na tv, por conhecermos alguém com algo grave que se consulta com um, ou de tanto escutarmos que “psiquiatra é pra gente doida”.

A verdade é que perfis psiquiátricos só existem no mundo da fantasia.

Para se ter uma idéia, praticamente UM em cada QUATRO pessoas no mundo apresentará, em algum momento da vida, algum transtorno psiquiátrico ou neurológico, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, esses números podem chegar de 20% até 56% da população (Santos E. G, et al, 2010).

Dessa forma, você concorda que é difícil falar em um ou três estereótipos quando há tanta gente ao mesmo tempo com tantos transtornos diferentes?

Identificar se deveríamos fazer um check-up com um psiquiatra jamais pode se basear em uma comparação com outras pessoas, mas sim com nós mesmo. 

Por isso, procure observar se o seu FUNCIONAMENTO no dia a dia está diferente. Caso esteja, lembre-se que você não precisa procurar por todas as soluções sozinho. Economize tempo e energia por meio de uma orientação sobre quais ações podem ser tomadas para que você retome a sua normalidade ou encontre uma nova. Mais confortável e mais funcional.

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4 thoughts on “Desestigmatizando a Psiquiatria

    • Dr. David Sender says:

      Excelente pergunta! O autismo é uma condição psiquiátrica complexa, que envolve diversas alterações na esfera da interação social e linguagem. O remédio, quando prescrito, funciona para melhorar alguns sintomas, mas nenhum deles trata especificamente o autismo. Por isso, seu tratamento também envolve diversas abordagens, dentre elas, uma das que mais possui evidências de funcionar é a terapia ocupacional. Trata-se de uma modalidade que não envolve remédio, mas o complementa, auxilia o paciente com autismo a se desenvolver melhor.

  1. Iva Maria Queiroz says:

    Então devemos tomar remédios para depressão para o resto da vida ?Eu agora me sinto bem,séria o momento de diminuir o remédio? Muito obrigado,ótima matéria,gostaria de mais informações.Obrigado

    • Dr. David Sender says:

      Excelente pergunta Iva. Obrigado por ela e pelo elogio.
      Não existe uma norma para quanto tempo devemos manter uma medicação psiquiátrica, especialmente quando se fala em depressão. Algumas pessoas tem indicação de toma-la por 6-8 meses, outras por 2 anos e algumas pelo resto da vida. Tudo depende de quantos episódios depressivos a pessoa ja teve durante a vida e a gravidade de cada um. Muitas pessoas, uma vez que se sentem melhor, e negociando com seu psiquiatra, preferem experimentar ficar sem medicação e observar se a depressão pode ou não surgir novamente. Outras, entendem que não vale a pena arriscar retornar ao estado do qual saíram, e por isso nem mesmo desejam parar de tomar.
      Perceba que, se você esta se sentindo bem agora, é porque a medicação (e talvez outras modalidades de tratamento que esteja fazendo como psicoterapia e atividade física) fez efeito. Suspende-la, especialmente sem acompanhamento, pode aumentar as chances de recaída. Por isso, essa decisão deve ser discutida com calma com o seu médico.

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