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“Não ando de avião”, “Não subo de elevador”, “Aranhas me dão pânico”. É possível ter fobias e viver bem?

O que mais te apavora? Imagine por um instante que isso estivesse para acontecer! O suor escorrendo, o coração disparando, a respiração encurtando… o corpo inteiro se prepara para a decisão: FUGIR ou LUTAR!

E você percebe que não há escapatória, por maior que seja seu pavor, você VAI TER QUE SENTAR NA CADEIRA DO DENTISTA. Parece exagero? Mas para o cérebro de muita gente, subir de elevador, andar de avião, entrar em contato com aranha, cobra, agulha ou altura pode levá-las ao seu limite!

Desde antes dos tempos da caverna, nosso cérebro foi desenvolvendo uma programação específica para a PRESERVAR nosso organismo. Trata-se de um sentimento muito familiar para todos nós: o MEDO. Esse complexo mecanismo envolve diversas funções cerebrais, dentre elas a memória. Por exemplo: Aprendemos que o fogo queima, que devemos evitar determinadas ruas ou que não se pode colocar o dedo na tomada. No entanto, existem pessoas que desenvolvem medos de situações ou objetos que não necessariamente representem uma ameaça verdadeira e chamamos isso de fobias específicas. 

Diferente do que muitos imaginam, nem todos que sofrem de fobias se recordam de um evento especifico que os tenha traumatizado. Uns sim, outros não.

Meu tio, por exemplo, quando era muito pequeno, teve a infelicidade de ser atacado por um galo. Por sorte, não houve nenhum ferimento relevante, pelo menos não fisicamente. Pois a partir daí, nunca mais conseguiu se aproximar de qualquer ave. Não come frango, pato ou muito menos brincaria com um papagaio treinado. Mesmo após 50 anos, ele ainda convive com um pavor que ficou permanente marcado em seu cérebro, como uma cicatriz que sempre associa a ideia de uma ave a um perigo iminente. Especificamente em seu caso, a fobia de aves não produz um constrangimento que gere grande sofrimento, e nem interfere em sua vida ao ponto de prejudica-lo. E isso significa que, assim como um número enorme de pessoas, meu tio não necessita de um tratamento (a não ser que deseje).

Só que, infelizmente, isso não é universal. Imagine que além de evitar o contato com aves, ele também se recusasse a cruzar uma rua pelo risco de se deparar com alguma. Ou se desejasse mudar de bairro principalmente pelo fato de ter pombos demais na principal avenida.  

Consideramos que as fobias devem ser tratadas quando o medo produzido ou o comportamento para evitar o contato com seu temor atingem um nível capaz de prejudicar sua vida. 

Um antigo paciente meu se recusava a usar elevador, optando sempre pelas escadas. Não parece ser nada demais, mas e quando uma reunião era no 22º andar? 

Há pessoas que perdem horas em trajetos alternativos para o trabalho, apenas para não atravessar uma ponte que cortaria o caminho, mas era alta demais. Isso sem falar das milhares de pessoas que adorariam conhecer o exterior, mas que sentem que podem ter um ataque só de se imaginarem enfrentando um voo com (ou sem) turbulência.

Fobias comumente geram muito constrangimento e muito dispêndio de energia e tempo. Por isso, conviver com elas, definitivamente não é simples! Mas felizmente seu tratamento costuma ser, envolvendo psiquiatra e psicólogo, que juntos trabalham para dissociar a ideia geradora de tamanho pavor, de seu perigo irracional. Reduzindo assim os comportamentos evitativos, e devolvendo na pessoa uma capacidade maior de autocontrole sobre suas próprias emoções e decisões.

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