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Qual é a diferença entre tristeza e depressão?

Ouço muita gente perguntando: “Será que essa tristeza pode ser uma depressão?” 
Ou o contrário: “Não estou deprimido… só estou muito triste com algumas coisas!”

Diferenciar depressão de tristeza pode ser difícil até para profissionais de saúde mental. Mas não é uma confusão inocente, pelo contrário… pode ser muito perigosa! Isso porque nenhum de nós está livre de sentir tristeza ao longo da vida e ao achar que toda tristeza intensa possa ser uma depressão, não vivenciamos esses momentos como devem ser vividos com muito respeito, pois o “patologizamos”. E isso tem consequências.

Ao confundirmos a depressão como algo do dia a dia, quando, na verdade, é transtorno mental capaz de gerar inclusive sequelas quando não tratado corretamente, estamos subestimando um adoecimento.

É um fato, lidar com a tristeza pode ser muito difícil! Mas acredite, temos a sorte de podermos experiencia-la!

A tristeza não apenas é um sentimento tão NORMAL quanto a raiva, o desejo, a frustração ou a alegria, quanto é NECESSÁRIA para o nosso amadurecimento. Por incrível que pareça, pessoas que evitam de todas as formas sentir-se tristes, especialmente em momentos que merecem esse tipo de sentimento, podem não superar um luto adequadamente, por exemplo. Nosso cérebro desenvolveu esse sentimento por uma questão EVOLUTIVA. Pois existe na tristeza um grande poder de transformação, como uma dor de crescimento, que é desagradável e indesejável, mas que quando chega ao fim mudamos, aprendemos e nos tornamos alguém à frente de antes.

Tudo isso é muito diferente da depressão, que é um estado ANORMAL de humor, no qual não se cultiva nada, apenas estagnação. Sua diferença para a tristeza não está só na intensidade, até porque há tristezas mais intensas que a própria depressão. Há até depressão SEM tristeza (pode ter irritação, apatia ou até sonolência no lugar).

“O tempo cura tudo”… bem, quase tudo. Para a tristeza, isso é verdadeiro. Pois pouco a pouco vamos tomando as rédeas de nossas vidas, e a percebemos reduzindo progressivamente, em seu próprio tempo.

Mas quando nosso humor adoece, e deprimimos, ele se torna continuamente desagradável, não dá sossego e nem responde ao poderoso tempo. Não necessariamente nos sentimos tristes, mas sem VITALIDADE.

Em estados como esse, é como se tudo caísse de categoria:
Aquilo que achávamos BOM, se torna NEUTRO.
O que achávamos NEUTRO, vira RUIM.
E o que é RUIM se torna TERRÍVEL.

Não é para menos que seja difícil se sentir GENUINAMENTE alegre. Pessoas em depressão lutam para USUFRUIR das coisas boas, pois perdem essa naturalidade. O que as leva a não se reconhecerem direito, ou melhor, a sentirem-se ingratas com a sua própria sorte.
Além disso, nossos LIMIARES mudam. Nos frustramos, perdemos a paciência, nos sentimos mais intolerantes ou até meio perseguidos por besteiras. Mas principalmente, demoramos mais a nos RECUPERARMOS daquilo que nos machuca.

Parte do que contribui para essa confusão é o fato de que a depressão, como a tristeza,  também PODE TER GATILHOS, isto é, circunstâncias envolvidas na abertura de um quadro, como a perda de alguém, de um emprego, uma decepção…
Só que a diferença entre as duas não está no gatilho, mas em como REAGIMOS DEPOIS dele. Na depressão sentimos que o que aconteceu modificou algo em nossa forma de EXPERIENCIARMOS a nós mesmos e ao mundo. Não existe uma sensação de que vamos nos recuperar, como na tristeza. Mas a de que fazer qualquer coisa exige um sacrifício maior.

Por isso, caso esteja passando por um momento de tristeza, lembre-se que durante a vida atravessamos momentos de dolorosos diversas vezes, e que embora seja difícil, são parte estrutural do nosso crescimento. Lembre-se também que NADA é eterno. Especialmente nossas emoções. Dê tempo, espaço e muito respeito a elas. Como disse Jasinda Wilder, “a única maneira de passar pela dor é através dela”.

Mas caso acredite que possa se tratar de algo patológico, procure um psiquiatra. Não perca tempo e energia por não saber como lutar uma batalha injusta. A verdadeira força está em ter compaixão de si mesmo, e assumir que podemos ir muito mais além sem tanto sofrimento se aceitarmos ajuda.

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